sábado, 26 de dezembro de 2009

FIM DA VIAGEM.

Então, acabou.
É, sem Nova York.
Por uma cagada que, não sei se fui eu ou o site pelo qual eu comprei a passagem ou, ainda a empresa aérea, de Pittsburgh para NY tive que desembolsar em torno de $340 dólares, senão ficaria lá no aeroporto até 23 de Dezembro de 2010 – a data que saiu errado em um dos recibos.
Passei horas num fila gigantesca para trocar o dia da minha volta (fiquei praticamente sem grana para 14 dias em NY), uma noite em um hotel barato à la "Psicose" e a véspera de Natal inteira no aeroporto JFK. E voltei.
Voltei mesmo com meus pais ficando chateados por eu estar vindo antes, sem conhecer a Grande Maçã. “Fica, a gente manda dinheiro” eles falaram, mas depois de jogar fora quase 700 Reais por um descuido que muito provavelmente foi meu, não tenho cara nem coragem pra ficar. Até tentei, mas já não dava mais para desfazer a troca – não sem desembolsar mais uns $250 dólares. Sei que eles até venderiam meu irmão menor para me mandar dinheiro para terminar a viagem como eu havia planejado, mas eu não tenho mais idade nem cara-de-pau de fazer isso.
Foi um semestre incrível e indescritível em Louisville, contando ainda com uma viagem para Chicago e para Pittsburgh. Mas agora me parece que eu nem saí da imigração; só consigo pensar na cagada que eu fiz e estraguei tudo.
Quem sabe mais pra frente eu consiga respirar e ver como foi tudo o que passou de fato. Porque agora eu estou na pura merda. Mas eu sei que isso passa. Smepre passa.

Enfim, feliz Ano Novo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pittsburgh!

Depois de passar meu último dia em Louisville sozinho em um prédio de 11 andares e 176 quartos, sem nem ao menos os seguranças, embarquei para minhas viagens finais na terra do Tio Obama. Escrevo agora de Pittsburgh.

1º dia: O primeiro vôo até Milwalkee foi tranqüilo, comigo sentado em um avião pequeno (3 fileiras de lugares – enfim, vôo local de menos de 2 horas) rodeado de militares, indo para casa no fim-de-semana. Diferente das minhas impressões, eles são muito gente boa! O do meu lado (com um coturno muito foda, marrom claro "areia-do-Iraque") estava se cagando de medo.
Na hora de embarcar na conexão, eu fui direto pegar as minhas malas antes de ir para o outro avião, PORÉM não estava escrito em nenhum lugar da passagem que eu não tinha que fazer isso. Resultado: quando descobri que as malas iam direto, eu tinha 10 minutos para embarcar.
Do outro lado do aeroporto.
Olha a Bonaldisse: Imagina eu correndo só de meia pelo aeroporto, com o tênis em uma mão, o casaco e o laptop em outra e a mochila aberta num ombro (tive que tirar as coisas pra passar no check-In). Chego morto no embarque:
EU: Pitts...burgh.... (respiração de cachorro asmático).
Moça: You made it. (“Você conseguiu”).
Só que eu entendi que o avião já tinha partido (tipo “it made it”). EU: NOOOO!
Moça: Não, você conseguiu. O vôo terá um atraso de 20 minutos.
Aí eu me joguei no chão, vestindo o tênis, sem fõlego, porém feliz. E o povo à minha volta rachando o bico, claro.

2º dia: Bruce, o cara do CouchSurfing (já falei que essa é a maneira mais “mochila-nas-costas" e foda de viajar? Fora que é mais barato que albergue – que não é barato porra nehuma) que está me hospedando, é um aventureiro. Com uns 40 e tanto anos, já foi acampar em lugares como a Nova Zelândia e já morou com nativos norte-americanos (ele é do Arizona). Afixionado por esportes, apesar de não dispensar o cigarro. Hoje ele me levou, junto com um amigo e as filhas desse cara, para descer uma colina na neve! E ele tem um daqueles carrinhos antigos, tipo dos desenhos do Charlie Brown! Estava -4 graus, mas por incrível que pareça, estava de boa, já não tinha vento – e eu estava com camadas e camadas de roupas impermeáveis.
Meu cabelo, preso num rabo-de-cavalo, congelou.
E Neve.
Muita neve.
MUITA. NEVE. Branquinha, macia, dá dó de pisar! Ela forma uns montes muito bonitos, absurdamente brancos e lisinhos! Mas é fria e... bem, molhada né! E levar tombos e mais tombos descendo de tobogã num ajuda muito!
Neve congela traseiros.
O dia terminou com uma ida a um Sport Bar para comer asinhas de frango (prato típico de qualquer bar americano) e umas cervejas.

3º dia: Como o Bruce é sócio dos museus daqui, ele me levou para conhecer de GRAÇA (do contrário seria 15 dólares) o Museu do Andy Warhol.
Wow.
7 andares com obras não só do pai da Pop Art, mas também exposições de pessoas como Shepard Fairley, artista plástico que fez trabalhos como o retrato do Obama para a campanha dele (aquele que está escrito "HOPE", sabe ?) , capas de discos de pessoas como Black Eyed Peas e Led Zeppelin, e cartazes de filmes, como o do "Johnny e June". E tinha também uma exposição chamada "SUPER-TRASH", com pôsteres de filmes trash (não só de terror) e underground dos anos Nem 60, 70 e 80. Nem gostei...
Depois fui para o Carnegie Museum de História Natural, com exposições de dinossauros, baleias, cultura egípcia e nativa norte-americana, bem como da vida natural em geral. Novamente de graça! (já falei que o CouchSurfing é muito legal?).
De tarde, o combinado era eu voltar para casa de busão, enquanto o Bruce estava em um jogo de futebol americano - uma final, imagine como estava a cidade. Depois uma amiga dele iria me pegar e levar para um jantar do grupo de Couchsurfers daqui de Pitts. Muito bem, lá fui eu no ponto, peguei o bus certinho, pedi para a motorista parar no local, expliquei que não sou daqui blábláblá... mas a desgraçada esqueceu de me avisar que não ia até o meu ponto, que ia parar de rodar antes! Resultado: Fiquei 40 minutos na frente de um shopping, esperando o próximo busão passar. Foi só no jantar, enquanto falávamos de filmes de terror, foi que me disseram que aquele mesmo shopping onde eu fiquei congelando a cara foi onde o George Romero filmou sua obra-prima de Zumbis, “Madrugada dos Mortos” (o original de 1975)!!!
Aliás, o jantar foi incrível. O dono da casa é colecionador de jogos de tabuleiro e coisas do gênero (ele tem mais de 1000 jogos no porão dele, e uma sala só de coisas de Halloween!), e a árvore de natal dele estava invertida, parafusada no teto (!?). Uma das outras convidadas é Chefe de cozinha de uma família rica, e trouxe umas "sobras" para a festa, como ovos de codorna com caviar, carneiro enrolado no bacon e outras guloseismas; outra é professora de dança do ventre - enfim, um grupo bem heterogêneo de pessoas do bem, divertidas e interessadas em se divertirem e conhecerem pessoas novas. Já falei que o CouchSurfing é MUITO legal? As histórias do pessoal - mesmo as ruins - sobre viagens e hóspedes foram o melhor da noite. Teve até um jogo de troca de presentes muito comum aqui nos States, chamado “White Elephant” (elefante branco), onde você leva algo bizarro que está encostado na sua casa e põem debaixo da árvore. O lance é que você nunca sabe o que vai receber. Eu ganhei duas facas para bolo de casamento, com o Gaguinho e a Petúnia, da Turma do Pernalonga, nos cabos (!!?).

4º Dia: Bruce me levou para uma caminhada básica com Benny, o cachorro de um amigo, em um parque perto de sua casa - que na verdade fica em um condado de Pitts, chamado Churchill.
6 quilômetros (em torno de 4 milhas). Na neve.
Com botas pesadíssimas que ele me emprestou – senão meu pé teria congelado. Foi muito lindo e divertido – sim, um fumante pode andar tudo isso em condições ruins e achar a experiência legal! -, apesar de meus calcanhares estarem quase em carne viva por causa das botas.

5° Dia: Em meu último dia em Pitts, o Bruce me levou para conhecer o Carnegie Museum de Artes. existem 4 Carnegie Museums aqui em Pitts; eu só não fui no de ciências. A coleção deles é bem variada, e cobre desde artes mais antigas como esculturas egípcias, como até video-instalações de artistas contemporâneos. Novamente de graça, claro.
Almoçamos no Primanti Brothers, um bar/lanchonete super-tradicional da cidade, e que possui até algumas filiais. Nada como sentar no balcão, pedir uma cerveja e um dos sanduíches tradicionais do local, cuja peculiaridade é ter um monte de batatas fritas bem no meio – é, isso mesmo.
Depois fomos conhecer a universidade de Pittsburgh, um prédio imenso que parece mais uma catedral. Além de ser aberta ao público nas férias, a universidade possui salas de aula especiais, decoradas como salas de diferentes países: Japão, Líbano, Escócia, Rússia, Israel.... claro, não tinha nada da América do Sul. Conhecemos depois a igreja da Universidade, a Heinz Cathedral. Eu realmente não gosto de ver locais como igrejas, parques e museus tradicionais, mas quando eles valem à pena e não são locais manjados para turistas (você conhece mais alguém que foi para Pittsburgh com mochila nas costas?), não vejo problemas. O dia terminou com mais uma caminhada com Benny, só que desta vez bem mais leve. Demos uma volta no cemitério da cidade, que tem uma vista linda e muita história.
Tchau Pitts.
Ô cidade linda! Cidade grande tradicionalmente americana, sem "armadilhas para turistas".

Próxima parada: Cidade de Nova York...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Hoje falta um mês para eu voltar para o Brasil.
Sim, passou rápido demais.
Um mês cheio de incertezas pela frente, já que muita coisa das viagens de final de ano precisam ser acertadas para ontem. Coisas burocráticas acadêmicas para serem acertadas. Ter que pagar para ficar dois dias a mais nos dormitórios - em outro, ou seja, tenho 2 mudanças pela frente; arrrumar outra mala para não ultrapassar o limite, arrumar alguém que não se importe de me levar pra comprar uma mala nova; não surtar com o tempo livre oscioso até dia 18 e a grana curta; não cometer o genocído das pessoas que estão me irritando; tentar consciliar o fundo de amarguras em meio a lembranças tão boas; e por aí vai...
E por aí vai.
Voltar pra me formar e ficar por tempo indeterminado na casa dos meus pais, no pesadelo Lynchiano chamado Aguaí. Ouvindo os parentes fazendo as perguntas sádicas, repetitivas e intermináveis sobre "o que você vai fazer da vida agora?" - fora os conselhos. Voltar e não-voltar pra MINHA casa, fedendo a cigarro e fritura por todos os pequenos cantos, com os meus horários e regras e liberdades e as paredes desenhadas e rabiscadas. Voltar e não-voltar para as pessoas com quem eu cresci tanto nos últimos quatro anos. Eu dependo muito dessas amizades.
Tentar não engordar mais.
Tentar não beber demais.
Tentar não fumar demais.
Tentar não me preocupar demais.
Tentar não escrever menos.
Tentar voltar e me fincar num só lugar por alguns bons anos, pois não aguento mais dar guinadas e recomeços na minha vida, jogando tudo que eu construí fora. E porquê essas mudanças sempre chegam quando estou me acostumando à tudo, e não quando eu realmente preciso? Sim, essa é a prova de que Deus existe - porque tem que ter alguém apontando o dedo pra mim e dando muita risada, em algum lugar.
Tem que ter.
Um mês pela frente. Estou com muitas saudades de casa, da família, dos amigos e tudo mais. Mas também não quero ir embora daqui. Mas também não quero ficar aqui. Mas também não quero ir embroa para casa. Mas também eu nem sei mais onde é a minha casa. Mas também...
Mas também.
Pára mundo que eu preciso descer. Sério, 15 minutinhos, tempo de uma mijada, um cigarro e um café.

domingo, 1 de novembro de 2009

Halloween!




“Essa arma não é minha, eu sou a Mulher Maravilha, não preciso disso. Ela é do meu irmão, ele é um pirata”.
A frase acima é a típica conversa de bar na época do Halloween. E o povo sai fantasiado mesmo! Eu vi de tudo: Hera venenosa, esponja de banho, Gandalf, Superman, gladiador, índia, pirata, bruxa, Drácula, Jackson Five, boxeador, gata, abóbora, enfim, de tudo! Fomos a um concerto da escola de música, onde eles tocaram músicas como a marcha imperial do Star Wars, vestidos de fantasias, e a duas festinhas muito boas (tou ficando craque em beer pong. Encontrei um esporte!). Eu estava de escritor beatnik (ver foto acima), com direito a constante cigarrinho e cara blasé. Tá, isso não é uma novidade pra mim, mas o povo meio que pira nessa época do ano.
Na quinta eu cheguei no meu quarto e, ao abrir a porta, encontro a luz acesa e a janela toda estilhaçada. Depois do susto inicial, percebi que ela tinha sido quebrada de dentro pra fora, e que havia sangue pelo quarto. Depois de outro susto, acabei encontrando meu colega de quarto no banheiro, lavando a mão ensangüentada. Ele chegou de uma festa “pré-Halloween” e, ao tentar fechar delicadamente a janela com a mão (santa burrice), acabou quebrando o vidro e se cortando. Ele levou alguns pontos só, nada sério. O melhor de tudo isso é que ele estava vestindo uma fantasia gigantesca de banana (!). Adoro meu colega de quarto: perto dele eu me sinto o cara mais sóbrio, quadrado e sensato do mundo. Semana passada, depois de bater a cabeça pela quinta vez na porta do armário, ele meteu um soco nela. A porta tá lá no quarto, caída num canto (não, ele nem pensou em fechar a porta depois da 1ª vez). De ontem pra hoje roubaram o celular dele numa festa e ele não lembra onde deixou as chaves. Boa, Dane....
Na sexta, descobri que um dos meus colegas de classe da aula de Redação Criativa tinha sido preso. Ele estava protestando contra alguma coisa, não me lembro. Ele mandou um e-mail pra professora dizendo: "se eu não aparecer na aula, é porque eu estarei preso". E no dia seguinte ela o viu dando uma entrevista na televisão, antes de ser levado pelos policiais! A classe toda estava muito orgulhosa dele.
Detalhe: ele é poeta. E tem 70 anos.


Notas cinematográficas:


“Zombieland” é um dos melhores filmes de zumbi que eu já vi!! Muito engraçado. E “Thisrt”, do mesmo diretor de “Oldboy”, é um filme de vampiro muito inspirado, adulto e sangrento – bem longe da basbaquice moralista e chata de “Crepúsculo”. Eles estréiam dia 03 de Dezembro e 26 de Novembro no Brasil, respectivamente (sim, eu me acho muito vendo os filmes antes, tá!!)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

e vem vindo o HAlloween...



Evil Dead (conhecido no Brasil como “A morte do demônio") é um dos maiores e mais divertidos clássicos do “cinema trash-podreira-barato-divertido-para-se-ver-bêbado-com-os-amigos". Lançado em 1981 e dirigido por Sam Raimi (que hoje – olha só! – faz os filmes Homem-Aranha), o filme conta a história de cinco amigos que vão passar um fim de semana numa cabana abandonada numa floresta. Lá eles encontram uma gravação que evoca demônios tosqueiras e nojentos que vai matando um a um os amigos e a namorada de Ash, o "herói" da história - e um dos mais bacanas do cinema.
Muito sangue falso e nojeiras. Diversão certa que gerou milhares de fãs xiitas (inclusive esse que vos escreve).

PENSA NUM MUSICAL. PENSA EM SANGUE JORRANDO DE VERDADE NA PLATÉIA. Pois é, eu vi! Um grupo local reencenou “Evil Dead – the Musical”, sucesso off-broadway desde 2003 em Nova York. Setes galões de sangue falso jorraram nas primeiras fileiras - onde o povo ganhava capas de chuva, claro. Eu e uns amigos ficamos na sessão “cabaret”, onde se podia beber durante a peça (idéia genial). As canções eram à lá “Grease” e outros musicais famosos, com coreografia de passinhos e tudo mais, porém as letras eram sobre decapitação, demônios, e piadas sobre a cultura pop atual (sim, teve até um passinho de Moonwalker do nada). Enfim, a peça é um tesão pra quem é fã do gênero, engraçada, escachada e descaradamente trash!



Sim, PUMPKINS!
Fomos a uma plantação de abóboras numa excursão com o Centro Batista (é, pode rir) e depois à casa de um casal que gentilmente nos deu almoço e nos deixou brincar com as hortaliças laranja. A casa ficava num típico subúrbio americano longe da cidade grande, e eles eram o clichê encarnado do casal americano batista perfeitinho e condolente com os estudantes estrangeiros. Tá, posso estar parecendo mal-agradecido, mas era esse o tom deles para com o pessoal - absurdamente amáveis, até demais. Eu mesmo nem relei nas abóboras, afinal tinha um monte de gente pra ajudar e, vamos combinar, meus dotes de artista plástico são bem subdesenvolvidos. Figuei jogando frisbee e, por incrível que pareça, é um jogo legal e relativamente fácil! A foto é de uma das nossas abóboras (sim, é o Jack de “O estranho mundo de Jack").

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CHICAGO !

ATENÇÃO: ÁLBUM ILUSTRADO VENDIDO SEPARADAMENTE NO ORKUT.


Chicago. Cidade dos ventos. Cidade do Al Capone.
Depois de uma frustrante tentativa de irmos para Washington como todos os outros grupos anteriores, resolvemos ir para Chicago. Eu, com pouca grana e com muito pouca vontade de conhecer a Cidade do Obama (desculpa, mas não sou lá fã de história e bláblablás do tipo....), já estava com vontade ir para a Cidade dos Ventos. Vi nisso a oportunidade perfeita para viajar sozinho experimentando pela primeira vez o CouchSurf, não pensei duas vezes e logo arrumei um lugar para ficar em Chicago. O resto do pessoal resolveu ir para lá depois que eu já tinha me ajeitado. Resultado: Eles ficaram em um albergue, pois não tinha mais lugar para eles ficarem comigo. Podem me chamar de chato, de individualista, metido ou qualquer coisa do gênero, mas me virar quase que inteiramente sozinho numa cidade daquelas foi uma das melhores e mais inspiradoras coisas que eu já fiz na minha vida.

CouchSurf: Site que reúne mochileiros de todo o mundo interessados em hospedar e serem hospedados de graça enquanto viajam. O objetivo, além de economizar, é fazer uma troca de experiências e de culturas, integrando as pessoas e fugindo das “atrações de turistas”, pois você acaba conhecendo um pouco de como as pessoas realmente vivem no local em questão. Pode soar perigoso receber ou dormir na casa de completos estranhos que se encontram pela net, mas a filosofia por trás disso é muito mais ampla: todos acreditam que ainda existem algumas pessoas interessantes e de bom coração no mundo. E eu conheci quatro delas em Chicago: Michael, Max, Kelly e Shelly. Ah, e Charles, o beagle de estimação deles.

1º Dia: Chego às 6:30, com 3 horas e meia de atraso. Ônibus aqui nos States é um lixo: é muito barato comprar ou alugar um carro, ou então ir de avião. Só pobre mesmo (ou turista...) é que arrisca. Num frio de mais ou menos 10 graus, abri meu guarda-chuva, me despedi de um grupo de alemães, Franceses e poloneses da facu que viajaram comigo e fui pedir informação para chegar à casa de Michael. Depois de um tempinho perdido, consegui encontrar a linha certa do metrô- uma das melhores invenções da História depois da roda e da cerveja, pois é fácil de se entender (no primeiro dia eu já sabia me virar de boa pela cidade) e relativamente barato. O Sistema de Chicago faz o de Sampa parecer de 1º mundo em matéria de limpeza e agilidade, mesmo operando 24 horas.
Michael e seus amigos vieram da Califórnia há 2 anos. Eles moram em um bairro meio boêmio, com muita influência mexicana - foi engraçado ser um brasileiro em Chicago, entrar nos restaurantes e conversar em espanhol com as atendentes. A globalização ainda vai foder minha cabeça. Michael é ator, assim como a Kelly; o Max é escritor de peças e a Kelly é bióloga (!). Eles moram ao lado de um teatro meio independente que mostra e toca de tudo, então o povo por ali, de noite, é muito diversificado - nos dias em que eu fiquei ali estava cheio de punks, góticos e coisas do gênero. Mas o mais legal é que eles tem uma espécie de casa de shows underground na casa deles: a Rough House. Você entra (a entrada é uma vitrine de loja abandonada !! Levei o maior susto quando cheguei, achando que tava no lugar errado) e dá de cara com um mini-andaime para a platéia, de frente para um espaço que serve como palco. Incrível. A noite terminou comigo conhecendo primeiro o Max (eu cheguei e ninguém me atendia, foi terrível!). Fomos ver a apresentação do Michael (uma performance de 15 minutos com influências de butô e terror) e indo tomar uma cerveja.

2º dia: Frio, muito frio e vento, que delícia! Com alguns mapinhas do Google que eu tinha imprimido antes de viajar, fui para o centro. Eu tinha todos os endereços de onde eu queria ir, mas simplesmente me deixei perder pelas ruas – eu e a máquina fotográfica. Conhecer uma cidade como Chicago é indescritível, e não somente seus cartões postais: Encontrei uma loja de LPs e CDs e outros produtos só de jazz, num beco meio fora de mão, uma atmosfera incrível. Outra loja foi a Reckless Records, um paraíso de Cds, LPs e dvds (a grande maioria usados) de boa qualidade. Passei horas nessas duas, além de uma só de quadrinhos mais perto do centro e numa livraria com um acervo de livros sobre cinema que me matou de raiva, pois eu já tinha gastado comprando uns dvds. Depois eu encontrei o local do 45º Festival Internacional de cinema de Chicago, e tive um orgasmo instantâneo - pra quem nunca foi nem na Mostra de São Paulo, estar num dos festivais mais tradicionais de cinema não é pouca merda. Logo no 1º dia vi dois filmes: “Singularidades de uma rapariga Loura", de Portugal, e "Give me your hand", da França. O dia acabou com uma festa teatral na casa da galera que me hospedou. Mini-apresentações teatrais regadas a cerveja e vinho, com um monte de gente legal e interessante. Tudo no melhor estilo mambembe - o povo ama mesmo teatro, e faz de tudo para se divertir e viver disso. Eu, para variar só um pouquinho, ajudei no bar! É o destino, só pode ser: independente do que eu farei da minha vida, vou morrer dono de algum buteco - "Bar do Bonis", "Biroska do Bonaldi" ou algo do tipo. Bem família.

3º dia: Depois de ir dormir as 6:00, acordei às 12:00 e fui para a rua. Era domingo, tinha acabado de acontecer uma maratona. Com uma certa ressaca e vendo o mundo em câmera lenta, fui tentar achar algum lugar bacana para comer, mas a maioria estava fechado. Acabei comendo no MacDonalds, e me dei conta de que desde que eu tinha chegado nos States, era a primeira vez que eu comia na Lanchonete do Palhaço. Ainda bem: o lanche aqui é barato, mas num chega aos pés do brasileiro, vai entender! Visitei o Art Institute of Chicago, um museu enorme e lindíssimo. Eu dei uma geral no local (na boa, esculturas e coisas antigas são lindas, mas num consigo ficar babando nem 1 minuto nelas...), e passei a maior parte do tempo na ala de arte moderna, e vi obras tanto de gente nova como obras de Picasso, Magritte, Dalí e Andy Warhol. No final da tarde finalmente encontrei o grupo de brasileiros, que estavam com uma amiga que eles conheceram no albergue, a Juliana. Depois do museu combinamos de ir no House of Blues, um lugar muito legal pra quem curte o estilo. A única coisa estranha foi que no segundo andar da casa estava tendo um show dos... Hanson !! Sim, as loirinhos do "Mmmbop"! Mas antes, eu a Juliana fomos conhecer o Navy Pier (o povo já tinha ido antes) e acabamos indo comer uma pizza. A noite acabou comigo, ela e o Teucle perdidos num pub irlandês até as 4:00 da manhã! Metrô 24 horas deveria ser prioridade em Sampa, juro mesmo.

4º dia: Antes de ir embora, dei uma última volta perdido pela cidade, e conheci de perto o Lago Michigan. Fui também no John Hancock Observatory - a segunda maior torre de Chicago. A primeira é o Sears Tower, mas o Observatoy além de ser de graça tem um barzinho no último andar! Nem gostei.... O que fechou minha experiência em Chicago com chave de ouro foi minha última ida ao Festival. Cheguei com a intenção de comprar ingressos de última hora (vendidos quando a sessão já começou, para os lugares das pessoas que não foram) para ver “Anticristo”, filme ultra polêmico do Lars Von Trier. Como o filmes já estava esgotado à duas semanas, eles não venderiam mais. Com o rabo entre as pernas, fui para a fila comprar uma camiseta e ingresso para algum outro filme. Do nada, uma santa me aparece oferecendo um ingresso pro "Anticristo", porque um amigo dela tinha desistido. "quanto, QUANTO!" eu gritei, e ela simplesmente me deu e falou "Feliz Natal! Divirta-se".
Não vou fazer uma crítica aqui, mas o filme é, com certeza, uma das manifestações artísticas do pensamento livre mais perturbadoras e líricas que eu já vi. Em outras palavras: FODA. E, de quebra, o ator Willem Dafoe estava presente, para receber o Hugo Awards pela carreira e para um bate-papo depois a exibição. Tive que sair no meio, senão perderia o busão.
Enfim, nem o fato da viagem de volta ter sido um inferno na terra por seis horas e meia e de eu ter perdido meu óculos me deixou pra baixo.
Mesmo quase sozinho o tempo inteiro, Chicago foi uma puta festa.

domingo, 4 de outubro de 2009

Fomos num bar de karaokê esses dias – karaokê mesmo, não videokê: Um palquinho onde as pessoas sobem e cantam seguindo a letra numa televisão. CLARO que eu tive que me meter a besta e solta essa maravilhosa e potente voz de barítono que eu tenho.
Não preciso nem dizer que foi uma catástrofe anunciada, um mico premeditado – POR QUÊ !?!? Nunca fiz isso no Brasil, precisava passar essa vergonha específica aqui!?
E como se o vexame em si não fosse suficiente, eu destruí uma das minhas músicas favoritas do Garbage, "Push it". Eu deveria ser preso.
E se eu estivesse bêbado, ainda ia ser divertido! Mas eu estava quase sóbrio.


Bed Ride

Tá, isso é estranho mesmo! Corrida de camas!
Só podia ser o povo das fraternidades mesmo!


video

"Esportes"

Beer pong



Tá, a foto é auto-explicativa. Beer pong é um jogo essencialmente americano, super comum em quase todas as festinhas. Joga-se em duplas, e o objetivo é acertar os copos dos adversários com uma bolinha de pingue-pongue. Bolinha dentro, você tem que beber a breja - ou vodka, whisky, etc... Como todo jogo envolvendo bebida, joga-se muito rápido - e fica-se bêbado muito rápido. É muito divertido!
Tem algumas outras regrinhas básicas, mas o essencial é isso.
Outro drinking game que os gringos jogam é a famosa Sueca, mas aqui eles não tem os joguinhos como o Vrum - que, pra falar a verdade, eu detesto.

Corn Hole



Esse jogo é bem tradicional daqui de Kentucky – é um “jogo de caipira”, pelo que me contaram as pessoas que são de fora do estado. Joga-se em duplas e o objetivo é lançar saquinhos cheio de milho dentro do buraco dessas tábuas (ver foto). Dependendo se cai dentro do buraco ou na tábua em si varia a pontuação (única parte que eu não entendi muito bem). Parece meio besta, mas acredite, é divertido! Dá uma certa dor no braço, já que eu sou um super atleta, mas enfim !!

sábado, 12 de setembro de 2009

Conto em inglês na aula

11 de Setembro também foi o dia em que a minha classe de Redação Criativa leu e analisou um conto meu. Acabei optando por traduzir um conto que eu já tinha mandado para um concurso no IBILCE e me dado bem, por vias das dúvidas - o "Ninho". Ele estava aqui no blog, mas tive que retira-lo, pois eu o enviei para uma seleção em uma coletânea, e o texto não podia estar publicado em nenhum lugar...
Apesar de o conto girar em torno de questões psicológicas, ele é basicamente sobre zumbis. Por isso eu fiquei meio nervoso, já que a classe, por mais mente aberta que seja, escreve mais poesia e textos "realistas", no sentido de não focarem ficção-científica, terror e assuntos fantásticos. E o pessoal é bom. E eu não os imaginava lendo um conto desses.
Mas apesar disso o pessoal elogiou meu conto - eles são menos preconceituosos do que eu supunha (vivendo e aprendendo, ainda bem). Ficaram surpresos com a minha fluência em inglês na escrita (elogio que sempre faz meu ego pisar em Marte) e na fala, e também apontaram alguns pontos fracos muito interessantes para eu trabalhar em cima, como escolha lexical e algumas construções gramaticais - enfim, coisas que eu já sabia que eram dificuldades minhas, ainda mais em outra língua.

1° Dia de trabalho!



11 de Setembro. Tem outra data mais emblemática?
Pois é, meu primeiro dia trabalhando no café da biblioteca – o Heine Brothers Café. Confesso que estava cagando de medo, mesmo depois dos brasileiros que trabalharam lá nos outros anos me dizerem que o trampo é sussa (além de me darem várias dicas). Pois bem, lá fui eu, cabelo preso, boné de baseball dos Cardinals e roupa preta. Comecei o treinamento – que, diga-se de passagem, é pra valer, ali, no meio do expediente – às 1:00 PM, um horário até que não muito lotado.
E não é que é um trampo legal!? Cookies, Brownies, muffins, vários de tipos de sanduíches, capuccinos, expressos, Chai, mochaccino, chá gelado, e mais um porrada de outras combinações com café. Trabalhei apenas dois dias, ainda não peguei totalmente como se faz todas as bebidas, todos os tipos de sanduíches e doces, mas estou pegando o jeito! Pelo menos AINDA não troquei pedidos, derramei coisas... AINDA.
Tive que comprar um tênis terrível para trabalhar, inteiro preto e que não deslize. Horrível. Há oito (08) anos que eu só comprava All Stars, e eu quebrei meu jejum por uma merda daquelas! Quase cortei os pulsos em diagonal com a ponta do cadarço...
A melhor parte, além de estar fazendo dinheiro? Comes e bebes de graça para quem trabalha lá. Ou seja: muito café! Afinal, quem precisa dormir? Eu não, só estudar nas horas que restaram durante a semana. Está provado cientificamente que o sono não é importante para manter a saúde mental.





................Não ??

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cinema – EU VI ANTES QUE VOCÊ!



Away we go - Vi aqui mesmo na faculdade, num tipo de clube de cinema que passa às vezes lançamentos e filmes menores e interessantes. Essa é uma produção independente totalmente indie, do tipo "Juno" e "Garden State" (“Hora de voltar” em português) e “Pequena miss Sunshine”: Edição meio rude, elenco sem ultra-estrelas de Hollywood, trilha sonora meio folk, do tipo “violão-e-voz", texto muito inteligente cheio de situações e personagens bizarros, humor inusitado e quase negro – enfim, bem ao meu gosto.
Surpreendentemente o filme é dirigido por Sam Mendes - o cara que fez "Beleza Americana", "Foi apenas um Sonho" e "Estrada para a perdição"! Definitivamente não é a cara dele, acho que ele quis relaxar um pouco de produções grandes - e funcionou! A história é sobre um casal, Verona (ela faz o “Saturday Night Live”) e Burt (John Krasinski, o Jim da série “The Office"). Grávidos pela primeira vez, eles decidem viajar e encontrar um lugar melhor para criarem seu filho e viverem – enfim, “fazerem a vida”. Pelo caminho, eles vão encontrando parentes e amigos um tanto quanto estranhos, com os mais variados estilos de vida – e todos refletem de alguma forma diferentes formas de paternidade, maternidade e crescimento.
Enfim, o elenco ainda conta com participações muito boas: Catherine O'Hara, Allison Janney, Jeff Daniel, Maggie Gyllenhaal e Melanie Lynskey (a Rose do “Two and a half Men”). É um tipo de indie road movie muito legal.

NÃO TEM DATA DE ESTRÉIA NO BRASIL AINDA, só lamento...

sábado, 29 de agosto de 2009

roomate = DANE COOK!

Isso mesmo!! Dane Cook !! Meu colega de quarto, Dayne, é parecido com o ator e comediante Dane Cook (ele fez "Amigos, amigos; mulheres à parte", “A mulher do meu irmão”, e outras comédias muito boas). Não fisicamente, mas a maneira de falar, as piadas, o jeito meio "garanhão” de ser, enfim, é idêntico.
Mas isso não apareceu logo de cara – na verdade foi ontem que isso me ocorreu. Eu tinha acabado de chegar no quarto e ele estava com a namorada, conversando e terminado de arrumar a TV que ele trouxe. Daí ele me falou que eu poderia usar quando quisesse, me ensinou como se usa (e pelo visto ele deveria achar que eu nunca tinha usado uma TV antes), blábláblá.... e me mostrou um de seus DVDs favoritos (a TV é uma de tela plana que vem com um aparelho de DVD embutido - muito legal!): O stand up comedy que o Dane Cook fez no Madison Square Garden. Mais tarde nós fomos assistir e tudo fez sentido para mim: O Dayne sabe de cor quase todo o show!

Aí vai um desse DVD (que já foi devidamente copiado por este que vos escreve) para vocês terem uma noção do que eu estou falandO:

http://www.youtube.com/watch?v=_7tpBEXgxTA

Aulas

Tive uma puta sorte: consegui todas as aulas que eu queria. Ontem foi o último dia para ajustar o horário desse semestre, e acho que quase todo mundo conseguiu as classe que tinham em mente. Aqui tudo é feito online, e você precisa entrar no site e se inscrever na matéria. Caso a classe esteja lotada, você fica na lista de espera até que surja uma vaga, pois na primeira semana as aulas são introdutórias, e servem para o pessoal ver se realmente querem a matéria.

American Literature II: Literatura norte-americana dos anos 60 até os dias de hoje. Professora muito legal, não cheguei nem a ficar na lista de espera. Nas classes nós lemos contos e os discutimos, levando em conta o contexto sócio-cultural, na literatura, etc. Fiquei com um pouco de inveja da Clara e do Teucle, pois eles pegaram um matéria de literatura que vai falar SÓ de ficção-científica (!!!), mas já estou curtindo muito as aulas – vou ler Jack Kerouac e Allen Ginsberg (beatniks do meu coração! só faltou o bom e bêbado Bukowski), Thomas Pyntchon e Toni Morrison!

Advanced Creative Writing: Fiquei com medo dessa matéria por ela ser do mestrado, mas esse curso “avançado de escrita criativa” é um workshop para escritores, basicamente. Estava na lista de espera, mas a professora (um amor) logo me deixou entrar. Não terá lista de presença, nem provas, pois ela presume que os alunos - ou melhor, escritores – estão lá porque querem e vão escrever. É uma sala pequena, para poucos alunos. Todos sentam envolta de uma enorme mesa e discutem textos, tanto de autores famosos quanto da gente mesmo. Do caralho...

Intermediate Spanish II: espanhol. A classe mais parecida com as do Brasil - exceto que os livros são muito caros e tem até um que é online! É a mais chatinha também. O povo da classe até que sabe bastante espanhol, mas o sotaque é terrível, hhehheheeh!! Tadinhos dos gringos donos do mundo...

Minorities & Movies: A MINHA MENINA DOS OLHOS. Cheguei a ficar até de fora da lista espera, mas mesmo assim fui assistir a primeira aula. O professor...hum... imaginem o Rick Moranis velho, com o (pouco) cabelo de lado, usando calças centro-peito com suspensórios! Um velhinho muito fofo, mas bem metódico – foi um milagre cinematográfico eu ter entrado na lista de espera e conseguir me inscrever na aula, pois ele não iria deixar ninguém mais entrar. A classe será basicamente discussões em torno de como o cinema retrata os grupos chamados de minorias: Negros, mulheres, homossexuais, deficientes físicos, latinos, etc - e como eles interagem com e fazem cinema. PER-FEI-TO.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Comida, religião & causos

A primeira grande diferença que eu percebi aqui foi o tamanho das porções e das bebidas: tudo é exageradamente enorme. Desde o tamanho dos hambúrgueres do Wendy's até os cookies que vêm de graça como acompanhamento, a menor porção que você pode pedir parece ser tamanho família, se comparado com os nossos padrões. Eu, claro, com medo de ter que pedir um assento duplo quando for voar de volta pro Brasil, peço tudo no tamanho pequeno (com o qual estou acostumado em terras bazucas), mas não adianta. Uma Coca pequena em qualquer rede de fast food é, sem brincadeira, maior que a Coca grande no MAcDonalds, por exemplo! E até as comidas que vem em porções, como a chinesa (outro prato típico dos gringos) e a mexicana são gigantescas, cheias de acompanhamentos... E a vida no dormitório também não é fácil: comida semi-pronta (geralmente macarrão e variações do tema) para se esquentar no microondas, salgadinhos e outros quitutes de máquinas. E os restaurantes dentro do campus são todos de fast food, mesmo os com opções mais light, como o Subway e comida chinesa.

Não é à toa que existem tantas pessoas acima do peso por aqui, é algo gritante nas ruas. Paradoxalmente, há muitas opções para vegetarianos, e a obsessão com o corpo perfeito e a aparência é algo fora do comum, especialmente entre o povo mais jovem.

Nessas primeiras semanas há muitas reuniões e organizações que oferecem comida de graça – pizza, hambúrgueres, sorvete, cookies, saladas, cachorro quente, chips, etc etc... Nós, como bons brasileiros, estamos indo em todos, heheheh!!! Na verdade essa é uma ótima estratégia para chamar os alunos para as orientações do começo de ano - são um saco, mas muito necessárias, especialmente para os alunos internacionais. Outras organizações dentro do campus fazem isso também para se apresentarem e chamarem novos integrantes - especialmente os grupos religiosos.

Desde o primeiro dia estamos indo sempre ao Centro Batista - tem sempre algum almoço, alguma janta, algum belisco de graça. O povo é super receptivo, bem humorado, Interessante e animado. Eu só estava esperando o dia em que eles começariam a falar de religião ou nos chamariam para algum “culto”, mas incrivelmente isso nunca ocorreu.

Até ontem.

Foi só eu comentar isso com o Teucle que, ontem, nós acabamos indo comer pizza de graça no meio de uma espécie de "reunião religiosa". Chegamos os dois (pessoas nem um pouco interessadas em religião), pegamos um belo pedaço e um copo de refri, conversamos com alguns camaradas, uma menina que conhecemos outro dia e que é mó religiosa (do tipo “não-pareço-religiosa-mas-quero-converter-o-mundo”).... e eis que começam as canções religiosas! No maior estilo "violão-gospel", com letra no telão e o povo com as mãos para o alto, louvando e cantando junto! E os dois lá, com cara de tacho...

Fomos embora super rápido. Estava me sentido mal por estar lá descaradamente pela comida enquanto os outros cantavam mó sérios. Acabamos encontrando outro local dando comida de graça – desta vez uma organização cristã. Entramos e já estávamos comendo quando a menina que estava toda animada no outro local surgiu do nada do nosso lado!

Fiquei com medo da onipresença da guria.

E ela me desembesta a falar de religião, de suas impressões e experiências. Agora me explica: porque todo ser muito religioso, quando vai conversar com pessoas novas, acaba entrando no assunto de religião e dando um sermão?! Teve uma hora que eu achei que a menina ia começar a chorar, tamanha a emoção dela ao dar seu testemunho (rolou até um "aleluia!"). Mas o lado interessante foi ver como o discurso dela é carregado de puritanismo, uma tendência desses grupos religiosos. Ainda não encontrei ninguém tão xiita quanto ela, mas o lado conservador (eu diria até ortodoxo) dos americanos é bem assim.

MacDonalds aqui é super barato; é também a rede mais "simprona" de lanches.

Dr. Pepper, o refrigerante, é horrível. Tem gosto de xarope para tosse.

Hambúrguer vegetariano (sem ser o de tofu ou o de carne de soja) é ótimo. Ele é feito de uma massa de legumes.

Só mais um causo culinário!: No sábado à noite meu colega de quarto, Dayne, chegou com um amigo dele, Pad, de uma festa (eu tinha ido em uma outra, de boas vindas aos brasileiros, na casa da Claire, que foi pra Rio Preto no primeiro semestre). Os dois chegam ultra chapados e resolvem fazer um macarrão instantâneo no microondas (que foi o Dayne que trouxe pro room). Só que o besta esqueceu de tirar o lacre de metal da bagaça... Resultado: Quando o Pad abriu o micro, a comida EXPLODIU na cara dele! Quando eu vi, ele tava jogado no chão, tampando o rosto com a mão. Olhei para o outro lado do quarto, pra cama do Dayne, e ele tava imóvel, com a maior cara de susto, lavado de lasanha - ele e toda a cama e o lado dele dormitório! No fim ninguém se machucou e a gente riu pra caralho... mas ainda tem algumas manchas de molho por aí....

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

5 dias, mas que parecem um mês já.

Já que quem voz fala é o Bonaldi, minha primeira vez em um avião não poderia ter sido mais bizarra: Um senhor morreu. De ataque cardíaco. O vôo passava pelos Andes quando ele simplesmente caiu no corredor, e então vieram as aeromoças chamando por um médico para tentar reanimá-lo. Claro que tudo foi feito sem chamar a atenção, mas foi em vão. Enfim.... torço para que isso não seja um mal sinal.

Já em Dallas mais uma surpresa: enquanto meus amigos passam direto para pegar o segundo vôo, sou levado para uma saída especial porque eles precisavam revistar minha mala. NÃO, EU NÃO ESTAVA LEVANDO NADA ILÍCITO: Foi só mais uma demonstração da pura burocracia que é entrar nos Estados Unidos - desde que o resultado da bolsa saiu, me sinto como um personagem kafkaniano numa eterna fila de processos e formulários.

Pisar num aeroporto internacional é a sensação mais bizarra do mundo, e só vai “piorando” à medida que você vai se dando conta de que você realmente está nos EUA, apesar de não parecer – eu ainda me pego assustado quando ouço as pessoas andando pelo corredor e falando em inglês. Um calor infernal, muito pior que em Rio Preto, pois aqui é muito úmido, tipo praia. Depois de uma típica refeição norte-americana – comida mexicana – fomos conhecer o campus e o dormitório.

ACREDITEM PESSOAS, os estereótipos que vemos nas séries e filmes são reais!

Tive muita sorte com meu colega de quarto. Ele é muito gente boa, do tipo meio "garanhão", que só pensa em festas - logo no primeiro dia ele me acordou às 3 da manhã para saber se eu queria fumar um com ele e umas amigas (loiras peitudas, sorridentes, gostosas e divertidas). Ainda bem que eu não fumo, não bebo e não curto esses tipos de coisas.... (só minto um pouco, como acrescentaria Tim Maia).

Deus do Céu, e que delay na hora de falar com as pessoas (o sotaque e o fato deles falarem muito rápido não ajudam muito também)! Parece que não vai passar nunca! Ainda bem que eu estou conseguindo me expressar direito...

A única coisa que me deixou chateado foi o fato da bolsa que nós recebemos não ter coberto toda a taxa de Moradia e Plano de Refeição – uma parte teve que sair de nossos bolsos e, além disso ter me deixado literalmente quebrado, me deixou com muita raiva. A gente também ainda não teve a assistência que tanto nos prometeram para conseguirmos um emprego. Tudo bem, a crise está fazendo todo mundo ter que arregaçar as mangas e as vagas estão concorridas, mas depois de terem nos enfiado uma lança como se o dinheiro dos nossos pais viesse da porra de uma árvore mágica (ELAS NÃO EXISTEM), isso era o mínimo que eu esperava.

Já estou pirando de ver como as coisas são fáceis e baratas de se comprar aqui! Fomos no Wall Mart e no Best Buy comprar coisas para os dormitórios e comida. Só os DVDs novos e diferentes que eu vi já me deixaram louco - e olha que nem são lojas especializadas nisso! Fora ter comprado um celular por U$5,00 que já veio com câmera, bluetooth e U$10,00 de crédito.... Esse é um item indispensável na vida dos americanos, é estranho não encontrar alguém aqui que não esteja em uma ligação ou mandando mensagens.

E não sei se é o efeito da endorfina ou do excitamento pela novidade de finalmente estar na terra do Tio Obama, mas as pessoas são muito bonitas e estilosas!

Ah, só joy!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Rum(o)

Café solúvel.
Mochila jogada no meio da bagunça.
Ligo o laptop, cuja traseira está levantada para não super-aquecer por dois volumes de "As vinhas da Ira". Um em cada canto.
Abro o tampão do minha estante, que deveria servir para guardar um mini-bar, mas que prudentemente abriga meus livros e papéis da faculdade. Um arrepio de frio ao sentar na cadeira gelada. Encaixo a ponta do tampão debaixo da mesa metálica dobrável de bar (ou de churrasco em chácara) onde estudo, de forma que eu tenho uma "mesa" semi-circular. Silêncio.
Pego a tradução e a coloco encostada em um monte de livros ao meu lado: cadernos velhos, uma agenda velha, um livro do Bukowski, outro da Clara Averbuck (desde já meu, sequestrado por bom senso), um de zumbis.
Tenho um prazo.
Tenho um prazo de trabalho.
Encaixo a ponta do tampão debaixo da mesa metálica dobrável de bar (ou de churrasco em chácara) onde trabalho.
Frio. Silêncio. Medo.
Tomo um gole da merda preta que deixa uma marca circular sobre a toalha de mesa surrada, ao lado de tantas outras de cerveja, vinho, etc... Sorrio, me imaginando um velho ranzinza reclamando do café do trampo. Sinto uma angústia em pensar no futuro, ou em pensar em mim no futuro pensando no passado.
Acho melhor eu aprender a fazer café.
Percebo que realmente dá para se viver disso. Mas não falo alto para não estragar.
É, dá até para se pensar em ter otimismo sobre o futuro, olhando para a tradução encostada na minha frente. Tremo.
Acho melhor colocar alguma coisinha nessa merda preta.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Coisas de NERD


25/05 - Towel Day !!!!!! Dia em homenagem a Douglas Adams, autor de uma das séries de livros mais influentes (e geniais) da ficção-científica moderna: "O Guia Do Mochilero das Galáxias". Neste dia, os fãs devem usar em alguma ocasião uma toalha (que, segundo o livro, é um dos itens mais importantes para um mochileiro das galáxias). A pose é stile, e vem do livro também.
Mais imformações no site oficial do evento.

De quebra dia 25 é dia do Orgulho Nerd !!!! (mais apropriado, impossível...). Para celebrar, fui ao cinema ver o novo Star Trek!! Tá, pode xingar à vontade...... GEEK & NERD PRIDE !

domingo, 10 de maio de 2009

Conversas III

A camiseta branca ainda tinha uma enorme marca de dobra, que dividia o silk vagabundo pela metade. Quando ele virou-se para falar com o cobrador, suas costas mostraram letras garrafais e festivas onde se lia: "Reunião de 25 anos da turma XVII de Engenharia". Abaixo, uma lista de nomes, alguns com o dizer IN MEMORIAN entre parênteses. A foto em seu peito mostrava uma turma de jovens com mullets, ombreiras e óculos de grau gigantescos.

- Quem será ele na foto?

- Se for alguém in memorian eu pulo do busão agora.

- Não, cretino....

- Zueira. Ah, sei lá, todos são muito parecidos na foto....e devem ser até hoje.

- Como assim?

- Olha só para ele: as entradas quase na nuca, o cabelo cinza, a barriga desproporcional pendendo da calça. A foto está tão esticada que nem ele se reconheceria.

- Tá, mas....

- E todos eles devem estar do mesmo jeito hoje. Olha o seu pai, olha o meu.

- E o cara ainda usa essa camiseta, que é do tipo que ou vira pijama, ou vira pano de chão.

- Isso para o resto do mundo. Mas ele é do tipo que gosta de remexer o passado, que não se desprende dele. Não sei se é a tal crise da idade, Mas ele deve ser muito sozinho... IN MEMORIAN.

- IN MEMORIAN... mais presente, impossível.

Um minuto de silêncio.

- Cara, isso foi cruel. Profundo, mas cruel.

- Se eu usar uma camiseta dessas, na idade dele, não vou poder reclamar de gente como eu me zoando.

- Ah, mas você nunca iria numa reunião dessas... acho que nem te convidariam, cara! hahahah, como se você se importasse, né....

- Poxa meu, também não precisa falar assim....

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Fight Club Feminino




CURTIU ?? Clique aqui para ver o ensaio completo....

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Conversas II

- Ahhh, ahhhh! Tina, socorro, ahhh!

- O que foi, meu Deus!?

- Ai amiga... eu estava lá embaixo, na sala vendo TV... e acho que matei um passarinho.

- ... oi?

- Umas noites atrás eu escutei um barulho estranho na lareira. Daí eu coloquei o tampão lá. Só que como hoje o Zé vem passar a noite aqui...

- Vagabunda.

- ... eu resolvi acender a lareira. Quando eu tirei o tampão o bicho entrou voando! Eu peguei o tição e matei ele! Ai amiga, tem sangue e pena pra todo lado... e vadia é você!

- E o pássaro morreu mesmo?

- Ai, ta muito escuro na sala, eu não sei! Vai lá pra mim?

- Afff.... ta bom.

(Um tempo depois)

- E aí? Ai, que cara é essa?

- Tenho duas notícias, uma ruim e uma boa. A primeira é que você estraçalhou uma coruja branca.

- Ai, que dó! E a boa?

- Fui aceita em Hogwarts.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Conto: Não era Kafka

- Mãe, tem uma barata na sala!

A mulher entrou na sala arrancando um dos tamancos e parou chocada com o monstro cascudo pré-histórico marrom que estava entre os livros de arte africana na mesa de centro de cristal albanês, sentiu-se enojada por saber que antes de estar ali aquela mãe já tinha posto trilhões de ovos nos cantos quentes e úmidos que sua empregada nordestina não sabia limpar direito, aquela mater que já tinha criado favelinhas para seus filhos crescerem e se procriarem e a inveja de saber sabe-se lá Deus como que uma bomba atômica mataria a si mesma e sua filha mas que os filhos dela ainda procriariam ente si em seus crânios semi-pulverizados e seu cheiro característico se impregnaria nas suas roupas íntimas e nos seus melhores lençóis e seu cocô faria pequeninas trilhas pelo carpete da sala e pelos cantos do sofá como caminhos que trilham aventureiros sozinhos no mundo e andariam por entre os frascos de valium na cabeceira da cama e nas garrafas de Martini escondidas no armário debaixo da pia e nos licores caros de seu marido que passava as noites de sábado e as tardes de domingo no escritório enquanto ela criava sua filha como uma mãe solteira fiel e nunca se permitia ter aventuras com o carteiro como suas vizinhas e melhores amigas que ela sabia que eram tão confiáveis quanto cobras do deserto e suas tripas se reviraram pensando que tudo teria sido diferente se ela tivesse ouvido sua mãe e porque a barata não era um cachorro a barata não era um gato a barata não era um canário não era um peixinho dourado não era um carro não era solteira não era um emprego não era um amante não era um divórcio não era um revólver carregado a barata era um nojo a barata era uma preta a barata era um aborto que sobrevivia sempre e sempre a barata era um vômito de Deus (que Deus não me ouça) a barata era uma pederasta era uma puta era uma orgia era um incesto era boêmia era pobre era jovem era forte demais mãe demais mulher demais era grande demais selvagem demais fértil demais a barata era um corpo branco como leite como pus - se visto por debaixo da mesa de cristal.

Mas ela estava por cima. O tamanco esmagou o inseto, transformando-o em uma massa disforme que por alguns instantes ainda pulsou.

- Clarice, sua inútil, porque você não matou esse bicho sozinha?

Ninguém quis comer os restos da barata.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Resenha - "O nevoeiro"

Considerados ruins por seus baixos orçamentos, os filmes “B” das décadas de 50, 60 e 70 compensavam a falta de tecnologia e efeitos especiais com roteiros originais e muita imaginação. Lançados por pequenos estúdios sem grandes expectativas comerciais, essas produções acabavam tendo uma certa liberdade para abordar assuntos como a sociedade e a política em geral – levando em conta a censura da época, claro. Assim, filmes americanos no auge da Guerra Fria mostravam zumbis do espaço e insetos gigantes como alegorias do inimigo desconhecido e longínquo, os comunistas; no Japão, o monstro radioativo Godzilla refletia o medo da bomba atômica.

“O Nevoeiro” é um legítimo filme “B”. Baseado em um conto do mestre do terror (físico e) psicológico Stephen King, o longa conta a história de uma cidadezinha norte-americana que, após uma tempestade, se vê envolta por uma espessa e inexplicável bruma. Logo um grupo de moradores isolados em um mercado descobre que há monstruosas criaturas à espreita nessa neblina. Presos ali, o medo, o desespero e a paranóia vão tomando conta de quase todos; uma fanática religiosa, dizendo que aquela situação é Deus punindo a Humanidade, começa a pregar que é chegado o Apocalipse. Aos poucos ela vai ganhando mais e mais seguidores, criando uma espécie de Caça ás Bruxas de proporções trágicas contra o cada vez menor grupo de pessoas céticas e racionais – mostrando que os humanos podem ser tão perigosos quanto as criaturas.

O terror sempre foi um gênero propício para críticas e alegorias da realidade (“um gênero fora-da-lei”, como definiu o próprio King), e “O nevoeiro” pode ser lido como uma metáfora da sociedade norte-americana atual. Cegados por uma mídia tendenciosa e corrupta e por governantes de índole não menos duvidosa, a nação mais poderosa do mundo se encontra acuada diante de inimigos que eles mesmos mal conseguem definir claramente. E o desconhecido gera o medo primitivo e irracional, cuja reação natural é a violência e o apego a qualquer crença ou verdade absoluta (como, por exemplo, o nacionalismo exacerbado que impulsiona a política de intervenção militar nos países do oriente médio) – situação representada no longa brilhantemente pelo fanatismo religioso. Pungente, o final dessa fábula de horror é uma catarse incômoda e indigesta, não só como a metáfora de uma potência à beira do caos, como também a dos homens, tão naturalmente frágeis. E perigosos.


(The Mist, EUA, 2007. Dir.: Frank Darabont. Com: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Chris Owen. 126min.)

sábado, 21 de março de 2009

Conversas

-Eu achava que Jimmy Carter era um roqueiro.

- .............. certo.

- Não, é sério.

- E você nunca achou estranho que toda vez que alguém falava dele era algo sobre os EUA, Casa Branca, presidência...

- Ah, era só eu escutar o nome dele que eu começava a imaginar um roqueiro dos anos 70, passando mal em algum show tipo Woodstock e morrendo asfixiado com o próprio vômito. Daí eu não escutava mais nada.

- Você vai acreditar se eu disser “Entendo”?

- Não.

- Ainda bem... O que você lembra quando ouve falar do Lula?

- Sei lá.... algum engenho de pinga no Agreste.... algo assim...

- Hehehe boa... e Bill Clinton?

- Hum... Hilary Clinton. Pegava fácil. E você, lembra do que sobre... hum... Tony Blair?

- “A bruxa de Blair”, é inevitável. E o Bush?

- Macaco. E Bin Laden?

- Habib’s. E Fernando Collor?

- De um tucano, sei lá, é algo da minha infância...

- Que tocante. E Margaret Thatcher?

- Quem?

- Deixa pra lá. Che Guevara?

- Maconha. Fidel Castro?

- Zumbi. Nixon?

- Daquele filme chato do cara que fez o canibal lá... Kennedy?

- Marilyn Monroe. Hugo Chavez?

- Aqueles bebums de padaria, de cara amassada. Obama?

- Jogador de basquete.Fernando Henrique Cardoso?

- Ah, sei lá... nada.

- Nada?

- É. Por falar nisso, em quem você vai votar na eleição da semana que vem?

- Sei lá, na hora eu decido. Não vou com a cara de nenhum deles, mesmo...

- Bora beber sábado em casa?

- Demorou.