quinta-feira, 11 de março de 2010

"O lado sombrio - 13 contos imortais"

Galera, aí vai o link do vídeo-propaganda da coletânea independente de contos de terror e ficção científica da qual eu estou participando!

Cliquem aqui!

Vamos dar uma força para a literatura fantástica brasileira! - e, de quebra, para escritores iniciantes!
Mais detalhes virão...


(ps: quem souber colocar aquela janelinha de vídeo do Youtube no blog vai ganhar um exemplar de graça!

Tá, num vai. Só um agradecimento e uma cerveja.)

sábado, 26 de dezembro de 2009

FIM DA VIAGEM.

Então, acabou.
É, sem Nova York.
Por uma cagada que, não sei se fui eu ou o site pelo qual eu comprei a passagem ou, ainda a empresa aérea, de Pittsburgh para NY tive que desembolsar em torno de $340 dólares, senão ficaria lá no aeroporto até 23 de Dezembro de 2010 – a data que saiu errado em um dos recibos.
Passei horas num fila gigantesca para trocar o dia da minha volta (fiquei praticamente sem grana para 14 dias em NY), uma noite em um hotel barato à la "Psicose" e a véspera de Natal inteira no aeroporto JFK. E voltei.
Voltei mesmo com meus pais ficando chateados por eu estar vindo antes, sem conhecer a Grande Maçã. “Fica, a gente manda dinheiro” eles falaram, mas depois de jogar fora quase 700 Reais por um descuido que muito provavelmente foi meu, não tenho cara nem coragem pra ficar. Até tentei, mas já não dava mais para desfazer a troca – não sem desembolsar mais uns $250 dólares. Sei que eles até venderiam meu irmão menor para me mandar dinheiro para terminar a viagem como eu havia planejado, mas eu não tenho mais idade nem cara-de-pau de fazer isso.
Foi um semestre incrível e indescritível em Louisville, contando ainda com uma viagem para Chicago e para Pittsburgh. Mas agora me parece que eu nem saí da imigração; só consigo pensar na cagada que eu fiz e estraguei tudo.
Quem sabe mais pra frente eu consiga respirar e ver como foi tudo o que passou de fato. Porque agora eu estou na pura merda. Mas eu sei que isso passa. Smepre passa.

Enfim, feliz Ano Novo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pittsburgh!

Depois de passar meu último dia em Louisville sozinho em um prédio de 11 andares e 176 quartos, sem nem ao menos os seguranças, embarquei para minhas viagens finais na terra do Tio Obama. Escrevo agora de Pittsburgh.

1º dia: O primeiro vôo até Milwalkee foi tranqüilo, comigo sentado em um avião pequeno (3 fileiras de lugares – enfim, vôo local de menos de 2 horas) rodeado de militares, indo para casa no fim-de-semana. Diferente das minhas impressões, eles são muito gente boa! O do meu lado (com um coturno muito foda, marrom claro "areia-do-Iraque") estava se cagando de medo.
Na hora de embarcar na conexão, eu fui direto pegar as minhas malas antes de ir para o outro avião, PORÉM não estava escrito em nenhum lugar da passagem que eu não tinha que fazer isso. Resultado: quando descobri que as malas iam direto, eu tinha 10 minutos para embarcar.
Do outro lado do aeroporto.
Olha a Bonaldisse: Imagina eu correndo só de meia pelo aeroporto, com o tênis em uma mão, o casaco e o laptop em outra e a mochila aberta num ombro (tive que tirar as coisas pra passar no check-In). Chego morto no embarque:
EU: Pitts...burgh.... (respiração de cachorro asmático).
Moça: You made it. (“Você conseguiu”).
Só que eu entendi que o avião já tinha partido (tipo “it made it”). EU: NOOOO!
Moça: Não, você conseguiu. O vôo terá um atraso de 20 minutos.
Aí eu me joguei no chão, vestindo o tênis, sem fõlego, porém feliz. E o povo à minha volta rachando o bico, claro.

2º dia: Bruce, o cara do CouchSurfing (já falei que essa é a maneira mais “mochila-nas-costas" e foda de viajar? Fora que é mais barato que albergue – que não é barato porra nehuma) que está me hospedando, é um aventureiro. Com uns 40 e tanto anos, já foi acampar em lugares como a Nova Zelândia e já morou com nativos norte-americanos (ele é do Arizona). Afixionado por esportes, apesar de não dispensar o cigarro. Hoje ele me levou, junto com um amigo e as filhas desse cara, para descer uma colina na neve! E ele tem um daqueles carrinhos antigos, tipo dos desenhos do Charlie Brown! Estava -4 graus, mas por incrível que pareça, estava de boa, já não tinha vento – e eu estava com camadas e camadas de roupas impermeáveis.
Meu cabelo, preso num rabo-de-cavalo, congelou.
E Neve.
Muita neve.
MUITA. NEVE. Branquinha, macia, dá dó de pisar! Ela forma uns montes muito bonitos, absurdamente brancos e lisinhos! Mas é fria e... bem, molhada né! E levar tombos e mais tombos descendo de tobogã num ajuda muito!
Neve congela traseiros.
O dia terminou com uma ida a um Sport Bar para comer asinhas de frango (prato típico de qualquer bar americano) e umas cervejas.

3º dia: Como o Bruce é sócio dos museus daqui, ele me levou para conhecer de GRAÇA (do contrário seria 15 dólares) o Museu do Andy Warhol.
Wow.
7 andares com obras não só do pai da Pop Art, mas também exposições de pessoas como Shepard Fairley, artista plástico que fez trabalhos como o retrato do Obama para a campanha dele (aquele que está escrito "HOPE", sabe ?) , capas de discos de pessoas como Black Eyed Peas e Led Zeppelin, e cartazes de filmes, como o do "Johnny e June". E tinha também uma exposição chamada "SUPER-TRASH", com pôsteres de filmes trash (não só de terror) e underground dos anos Nem 60, 70 e 80. Nem gostei...
Depois fui para o Carnegie Museum de História Natural, com exposições de dinossauros, baleias, cultura egípcia e nativa norte-americana, bem como da vida natural em geral. Novamente de graça! (já falei que o CouchSurfing é muito legal?).
De tarde, o combinado era eu voltar para casa de busão, enquanto o Bruce estava em um jogo de futebol americano - uma final, imagine como estava a cidade. Depois uma amiga dele iria me pegar e levar para um jantar do grupo de Couchsurfers daqui de Pitts. Muito bem, lá fui eu no ponto, peguei o bus certinho, pedi para a motorista parar no local, expliquei que não sou daqui blábláblá... mas a desgraçada esqueceu de me avisar que não ia até o meu ponto, que ia parar de rodar antes! Resultado: Fiquei 40 minutos na frente de um shopping, esperando o próximo busão passar. Foi só no jantar, enquanto falávamos de filmes de terror, foi que me disseram que aquele mesmo shopping onde eu fiquei congelando a cara foi onde o George Romero filmou sua obra-prima de Zumbis, “Madrugada dos Mortos” (o original de 1975)!!!
Aliás, o jantar foi incrível. O dono da casa é colecionador de jogos de tabuleiro e coisas do gênero (ele tem mais de 1000 jogos no porão dele, e uma sala só de coisas de Halloween!), e a árvore de natal dele estava invertida, parafusada no teto (!?). Uma das outras convidadas é Chefe de cozinha de uma família rica, e trouxe umas "sobras" para a festa, como ovos de codorna com caviar, carneiro enrolado no bacon e outras guloseismas; outra é professora de dança do ventre - enfim, um grupo bem heterogêneo de pessoas do bem, divertidas e interessadas em se divertirem e conhecerem pessoas novas. Já falei que o CouchSurfing é MUITO legal? As histórias do pessoal - mesmo as ruins - sobre viagens e hóspedes foram o melhor da noite. Teve até um jogo de troca de presentes muito comum aqui nos States, chamado “White Elephant” (elefante branco), onde você leva algo bizarro que está encostado na sua casa e põem debaixo da árvore. O lance é que você nunca sabe o que vai receber. Eu ganhei duas facas para bolo de casamento, com o Gaguinho e a Petúnia, da Turma do Pernalonga, nos cabos (!!?).

4º Dia: Bruce me levou para uma caminhada básica com Benny, o cachorro de um amigo, em um parque perto de sua casa - que na verdade fica em um condado de Pitts, chamado Churchill.
6 quilômetros (em torno de 4 milhas). Na neve.
Com botas pesadíssimas que ele me emprestou – senão meu pé teria congelado. Foi muito lindo e divertido – sim, um fumante pode andar tudo isso em condições ruins e achar a experiência legal! -, apesar de meus calcanhares estarem quase em carne viva por causa das botas.

5° Dia: Em meu último dia em Pitts, o Bruce me levou para conhecer o Carnegie Museum de Artes. existem 4 Carnegie Museums aqui em Pitts; eu só não fui no de ciências. A coleção deles é bem variada, e cobre desde artes mais antigas como esculturas egípcias, como até video-instalações de artistas contemporâneos. Novamente de graça, claro.
Almoçamos no Primanti Brothers, um bar/lanchonete super-tradicional da cidade, e que possui até algumas filiais. Nada como sentar no balcão, pedir uma cerveja e um dos sanduíches tradicionais do local, cuja peculiaridade é ter um monte de batatas fritas bem no meio – é, isso mesmo.
Depois fomos conhecer a universidade de Pittsburgh, um prédio imenso que parece mais uma catedral. Além de ser aberta ao público nas férias, a universidade possui salas de aula especiais, decoradas como salas de diferentes países: Japão, Líbano, Escócia, Rússia, Israel.... claro, não tinha nada da América do Sul. Conhecemos depois a igreja da Universidade, a Heinz Cathedral. Eu realmente não gosto de ver locais como igrejas, parques e museus tradicionais, mas quando eles valem à pena e não são locais manjados para turistas (você conhece mais alguém que foi para Pittsburgh com mochila nas costas?), não vejo problemas. O dia terminou com mais uma caminhada com Benny, só que desta vez bem mais leve. Demos uma volta no cemitério da cidade, que tem uma vista linda e muita história.
Tchau Pitts.
Ô cidade linda! Cidade grande tradicionalmente americana, sem "armadilhas para turistas".

Próxima parada: Cidade de Nova York...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Hoje falta um mês para eu voltar para o Brasil.
Sim, passou rápido demais.
Um mês cheio de incertezas pela frente, já que muita coisa das viagens de final de ano precisam ser acertadas para ontem. Coisas burocráticas acadêmicas para serem acertadas. Ter que pagar para ficar dois dias a mais nos dormitórios - em outro, ou seja, tenho 2 mudanças pela frente; arrrumar outra mala para não ultrapassar o limite, arrumar alguém que não se importe de me levar pra comprar uma mala nova; não surtar com o tempo livre oscioso até dia 18 e a grana curta; não cometer o genocído das pessoas que estão me irritando; tentar consciliar o fundo de amarguras em meio a lembranças tão boas; e por aí vai...
E por aí vai.
Voltar pra me formar e ficar por tempo indeterminado na casa dos meus pais, no pesadelo Lynchiano chamado Aguaí. Ouvindo os parentes fazendo as perguntas sádicas, repetitivas e intermináveis sobre "o que você vai fazer da vida agora?" - fora os conselhos. Voltar e não-voltar pra MINHA casa, fedendo a cigarro e fritura por todos os pequenos cantos, com os meus horários e regras e liberdades e as paredes desenhadas e rabiscadas. Voltar e não-voltar para as pessoas com quem eu cresci tanto nos últimos quatro anos. Eu dependo muito dessas amizades.
Tentar não engordar mais.
Tentar não beber demais.
Tentar não fumar demais.
Tentar não me preocupar demais.
Tentar não escrever menos.
Tentar voltar e me fincar num só lugar por alguns bons anos, pois não aguento mais dar guinadas e recomeços na minha vida, jogando tudo que eu construí fora. E porquê essas mudanças sempre chegam quando estou me acostumando à tudo, e não quando eu realmente preciso? Sim, essa é a prova de que Deus existe - porque tem que ter alguém apontando o dedo pra mim e dando muita risada, em algum lugar.
Tem que ter.
Um mês pela frente. Estou com muitas saudades de casa, da família, dos amigos e tudo mais. Mas também não quero ir embora daqui. Mas também não quero ficar aqui. Mas também não quero ir embroa para casa. Mas também eu nem sei mais onde é a minha casa. Mas também...
Mas também.
Pára mundo que eu preciso descer. Sério, 15 minutinhos, tempo de uma mijada, um cigarro e um café.

domingo, 1 de novembro de 2009

Halloween!




“Essa arma não é minha, eu sou a Mulher Maravilha, não preciso disso. Ela é do meu irmão, ele é um pirata”.
A frase acima é a típica conversa de bar na época do Halloween. E o povo sai fantasiado mesmo! Eu vi de tudo: Hera venenosa, esponja de banho, Gandalf, Superman, gladiador, índia, pirata, bruxa, Drácula, Jackson Five, boxeador, gata, abóbora, enfim, de tudo! Fomos a um concerto da escola de música, onde eles tocaram músicas como a marcha imperial do Star Wars, vestidos de fantasias, e a duas festinhas muito boas (tou ficando craque em beer pong. Encontrei um esporte!). Eu estava de escritor beatnik (ver foto acima), com direito a constante cigarrinho e cara blasé. Tá, isso não é uma novidade pra mim, mas o povo meio que pira nessa época do ano.
Na quinta eu cheguei no meu quarto e, ao abrir a porta, encontro a luz acesa e a janela toda estilhaçada. Depois do susto inicial, percebi que ela tinha sido quebrada de dentro pra fora, e que havia sangue pelo quarto. Depois de outro susto, acabei encontrando meu colega de quarto no banheiro, lavando a mão ensangüentada. Ele chegou de uma festa “pré-Halloween” e, ao tentar fechar delicadamente a janela com a mão (santa burrice), acabou quebrando o vidro e se cortando. Ele levou alguns pontos só, nada sério. O melhor de tudo isso é que ele estava vestindo uma fantasia gigantesca de banana (!). Adoro meu colega de quarto: perto dele eu me sinto o cara mais sóbrio, quadrado e sensato do mundo. Semana passada, depois de bater a cabeça pela quinta vez na porta do armário, ele meteu um soco nela. A porta tá lá no quarto, caída num canto (não, ele nem pensou em fechar a porta depois da 1ª vez). De ontem pra hoje roubaram o celular dele numa festa e ele não lembra onde deixou as chaves. Boa, Dane....
Na sexta, descobri que um dos meus colegas de classe da aula de Redação Criativa tinha sido preso. Ele estava protestando contra alguma coisa, não me lembro. Ele mandou um e-mail pra professora dizendo: "se eu não aparecer na aula, é porque eu estarei preso". E no dia seguinte ela o viu dando uma entrevista na televisão, antes de ser levado pelos policiais! A classe toda estava muito orgulhosa dele.
Detalhe: ele é poeta. E tem 70 anos.


Notas cinematográficas:


“Zombieland” é um dos melhores filmes de zumbi que eu já vi!! Muito engraçado. E “Thisrt”, do mesmo diretor de “Oldboy”, é um filme de vampiro muito inspirado, adulto e sangrento – bem longe da basbaquice moralista e chata de “Crepúsculo”. Eles estréiam dia 03 de Dezembro e 26 de Novembro no Brasil, respectivamente (sim, eu me acho muito vendo os filmes antes, tá!!)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

e vem vindo o HAlloween...



Evil Dead (conhecido no Brasil como “A morte do demônio") é um dos maiores e mais divertidos clássicos do “cinema trash-podreira-barato-divertido-para-se-ver-bêbado-com-os-amigos". Lançado em 1981 e dirigido por Sam Raimi (que hoje – olha só! – faz os filmes Homem-Aranha), o filme conta a história de cinco amigos que vão passar um fim de semana numa cabana abandonada numa floresta. Lá eles encontram uma gravação que evoca demônios tosqueiras e nojentos que vai matando um a um os amigos e a namorada de Ash, o "herói" da história - e um dos mais bacanas do cinema.
Muito sangue falso e nojeiras. Diversão certa que gerou milhares de fãs xiitas (inclusive esse que vos escreve).

PENSA NUM MUSICAL. PENSA EM SANGUE JORRANDO DE VERDADE NA PLATÉIA. Pois é, eu vi! Um grupo local reencenou “Evil Dead – the Musical”, sucesso off-broadway desde 2003 em Nova York. Setes galões de sangue falso jorraram nas primeiras fileiras - onde o povo ganhava capas de chuva, claro. Eu e uns amigos ficamos na sessão “cabaret”, onde se podia beber durante a peça (idéia genial). As canções eram à lá “Grease” e outros musicais famosos, com coreografia de passinhos e tudo mais, porém as letras eram sobre decapitação, demônios, e piadas sobre a cultura pop atual (sim, teve até um passinho de Moonwalker do nada). Enfim, a peça é um tesão pra quem é fã do gênero, engraçada, escachada e descaradamente trash!



Sim, PUMPKINS!
Fomos a uma plantação de abóboras numa excursão com o Centro Batista (é, pode rir) e depois à casa de um casal que gentilmente nos deu almoço e nos deixou brincar com as hortaliças laranja. A casa ficava num típico subúrbio americano longe da cidade grande, e eles eram o clichê encarnado do casal americano batista perfeitinho e condolente com os estudantes estrangeiros. Tá, posso estar parecendo mal-agradecido, mas era esse o tom deles para com o pessoal - absurdamente amáveis, até demais. Eu mesmo nem relei nas abóboras, afinal tinha um monte de gente pra ajudar e, vamos combinar, meus dotes de artista plástico são bem subdesenvolvidos. Figuei jogando frisbee e, por incrível que pareça, é um jogo legal e relativamente fácil! A foto é de uma das nossas abóboras (sim, é o Jack de “O estranho mundo de Jack").

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CHICAGO !

ATENÇÃO: ÁLBUM ILUSTRADO VENDIDO SEPARADAMENTE NO ORKUT.


Chicago. Cidade dos ventos. Cidade do Al Capone.
Depois de uma frustrante tentativa de irmos para Washington como todos os outros grupos anteriores, resolvemos ir para Chicago. Eu, com pouca grana e com muito pouca vontade de conhecer a Cidade do Obama (desculpa, mas não sou lá fã de história e bláblablás do tipo....), já estava com vontade ir para a Cidade dos Ventos. Vi nisso a oportunidade perfeita para viajar sozinho experimentando pela primeira vez o CouchSurf, não pensei duas vezes e logo arrumei um lugar para ficar em Chicago. O resto do pessoal resolveu ir para lá depois que eu já tinha me ajeitado. Resultado: Eles ficaram em um albergue, pois não tinha mais lugar para eles ficarem comigo. Podem me chamar de chato, de individualista, metido ou qualquer coisa do gênero, mas me virar quase que inteiramente sozinho numa cidade daquelas foi uma das melhores e mais inspiradoras coisas que eu já fiz na minha vida.

CouchSurf: Site que reúne mochileiros de todo o mundo interessados em hospedar e serem hospedados de graça enquanto viajam. O objetivo, além de economizar, é fazer uma troca de experiências e de culturas, integrando as pessoas e fugindo das “atrações de turistas”, pois você acaba conhecendo um pouco de como as pessoas realmente vivem no local em questão. Pode soar perigoso receber ou dormir na casa de completos estranhos que se encontram pela net, mas a filosofia por trás disso é muito mais ampla: todos acreditam que ainda existem algumas pessoas interessantes e de bom coração no mundo. E eu conheci quatro delas em Chicago: Michael, Max, Kelly e Shelly. Ah, e Charles, o beagle de estimação deles.

1º Dia: Chego às 6:30, com 3 horas e meia de atraso. Ônibus aqui nos States é um lixo: é muito barato comprar ou alugar um carro, ou então ir de avião. Só pobre mesmo (ou turista...) é que arrisca. Num frio de mais ou menos 10 graus, abri meu guarda-chuva, me despedi de um grupo de alemães, Franceses e poloneses da facu que viajaram comigo e fui pedir informação para chegar à casa de Michael. Depois de um tempinho perdido, consegui encontrar a linha certa do metrô- uma das melhores invenções da História depois da roda e da cerveja, pois é fácil de se entender (no primeiro dia eu já sabia me virar de boa pela cidade) e relativamente barato. O Sistema de Chicago faz o de Sampa parecer de 1º mundo em matéria de limpeza e agilidade, mesmo operando 24 horas.
Michael e seus amigos vieram da Califórnia há 2 anos. Eles moram em um bairro meio boêmio, com muita influência mexicana - foi engraçado ser um brasileiro em Chicago, entrar nos restaurantes e conversar em espanhol com as atendentes. A globalização ainda vai foder minha cabeça. Michael é ator, assim como a Kelly; o Max é escritor de peças e a Kelly é bióloga (!). Eles moram ao lado de um teatro meio independente que mostra e toca de tudo, então o povo por ali, de noite, é muito diversificado - nos dias em que eu fiquei ali estava cheio de punks, góticos e coisas do gênero. Mas o mais legal é que eles tem uma espécie de casa de shows underground na casa deles: a Rough House. Você entra (a entrada é uma vitrine de loja abandonada !! Levei o maior susto quando cheguei, achando que tava no lugar errado) e dá de cara com um mini-andaime para a platéia, de frente para um espaço que serve como palco. Incrível. A noite terminou comigo conhecendo primeiro o Max (eu cheguei e ninguém me atendia, foi terrível!). Fomos ver a apresentação do Michael (uma performance de 15 minutos com influências de butô e terror) e indo tomar uma cerveja.

2º dia: Frio, muito frio e vento, que delícia! Com alguns mapinhas do Google que eu tinha imprimido antes de viajar, fui para o centro. Eu tinha todos os endereços de onde eu queria ir, mas simplesmente me deixei perder pelas ruas – eu e a máquina fotográfica. Conhecer uma cidade como Chicago é indescritível, e não somente seus cartões postais: Encontrei uma loja de LPs e CDs e outros produtos só de jazz, num beco meio fora de mão, uma atmosfera incrível. Outra loja foi a Reckless Records, um paraíso de Cds, LPs e dvds (a grande maioria usados) de boa qualidade. Passei horas nessas duas, além de uma só de quadrinhos mais perto do centro e numa livraria com um acervo de livros sobre cinema que me matou de raiva, pois eu já tinha gastado comprando uns dvds. Depois eu encontrei o local do 45º Festival Internacional de cinema de Chicago, e tive um orgasmo instantâneo - pra quem nunca foi nem na Mostra de São Paulo, estar num dos festivais mais tradicionais de cinema não é pouca merda. Logo no 1º dia vi dois filmes: “Singularidades de uma rapariga Loura", de Portugal, e "Give me your hand", da França. O dia acabou com uma festa teatral na casa da galera que me hospedou. Mini-apresentações teatrais regadas a cerveja e vinho, com um monte de gente legal e interessante. Tudo no melhor estilo mambembe - o povo ama mesmo teatro, e faz de tudo para se divertir e viver disso. Eu, para variar só um pouquinho, ajudei no bar! É o destino, só pode ser: independente do que eu farei da minha vida, vou morrer dono de algum buteco - "Bar do Bonis", "Biroska do Bonaldi" ou algo do tipo. Bem família.

3º dia: Depois de ir dormir as 6:00, acordei às 12:00 e fui para a rua. Era domingo, tinha acabado de acontecer uma maratona. Com uma certa ressaca e vendo o mundo em câmera lenta, fui tentar achar algum lugar bacana para comer, mas a maioria estava fechado. Acabei comendo no MacDonalds, e me dei conta de que desde que eu tinha chegado nos States, era a primeira vez que eu comia na Lanchonete do Palhaço. Ainda bem: o lanche aqui é barato, mas num chega aos pés do brasileiro, vai entender! Visitei o Art Institute of Chicago, um museu enorme e lindíssimo. Eu dei uma geral no local (na boa, esculturas e coisas antigas são lindas, mas num consigo ficar babando nem 1 minuto nelas...), e passei a maior parte do tempo na ala de arte moderna, e vi obras tanto de gente nova como obras de Picasso, Magritte, Dalí e Andy Warhol. No final da tarde finalmente encontrei o grupo de brasileiros, que estavam com uma amiga que eles conheceram no albergue, a Juliana. Depois do museu combinamos de ir no House of Blues, um lugar muito legal pra quem curte o estilo. A única coisa estranha foi que no segundo andar da casa estava tendo um show dos... Hanson !! Sim, as loirinhos do "Mmmbop"! Mas antes, eu a Juliana fomos conhecer o Navy Pier (o povo já tinha ido antes) e acabamos indo comer uma pizza. A noite acabou comigo, ela e o Teucle perdidos num pub irlandês até as 4:00 da manhã! Metrô 24 horas deveria ser prioridade em Sampa, juro mesmo.

4º dia: Antes de ir embora, dei uma última volta perdido pela cidade, e conheci de perto o Lago Michigan. Fui também no John Hancock Observatory - a segunda maior torre de Chicago. A primeira é o Sears Tower, mas o Observatoy além de ser de graça tem um barzinho no último andar! Nem gostei.... O que fechou minha experiência em Chicago com chave de ouro foi minha última ida ao Festival. Cheguei com a intenção de comprar ingressos de última hora (vendidos quando a sessão já começou, para os lugares das pessoas que não foram) para ver “Anticristo”, filme ultra polêmico do Lars Von Trier. Como o filmes já estava esgotado à duas semanas, eles não venderiam mais. Com o rabo entre as pernas, fui para a fila comprar uma camiseta e ingresso para algum outro filme. Do nada, uma santa me aparece oferecendo um ingresso pro "Anticristo", porque um amigo dela tinha desistido. "quanto, QUANTO!" eu gritei, e ela simplesmente me deu e falou "Feliz Natal! Divirta-se".
Não vou fazer uma crítica aqui, mas o filme é, com certeza, uma das manifestações artísticas do pensamento livre mais perturbadoras e líricas que eu já vi. Em outras palavras: FODA. E, de quebra, o ator Willem Dafoe estava presente, para receber o Hugo Awards pela carreira e para um bate-papo depois a exibição. Tive que sair no meio, senão perderia o busão.
Enfim, nem o fato da viagem de volta ter sido um inferno na terra por seis horas e meia e de eu ter perdido meu óculos me deixou pra baixo.
Mesmo quase sozinho o tempo inteiro, Chicago foi uma puta festa.